14 de outubro de 2009

Sobre Descartés, evolução e sorrisos.

-Texto puxado de dentro para fora por uma gama de acontecimentos possitivos e outros um tanto quanto vomitáveis.-



Acho graça em muitas coisas. Acho mesmo graça em fatos e coisas que outras pessoas, geralmente, ou não acham engraçadas, ou simplesmente não notam. Pego a mim mesmo diversas vezes sorrindo sem um motivo aparente e me percebo, novamente, despreocupado em querer encontrar um maldito motivo de um sorriso tão gostoso de esboçar. Acho que é só a leveza do Caos em que todos nós vivemos olhando para mim. Todos.

Também não acho, nem vejo mais graça em determinadas coisas e fatos. Antes o que me fazia sorrir, me faz agora ficar calado. É uma mudança meio brusca, admito, mas que conseguiu trazer toda a sutileza da verdade aos meus dias. Antes, quando eu sorria, era algo sinistramente mecânico e imperceptivelmente irreal. Uma brusca ruptura com alguns dos padrões humorísticos que me mantinham, mais uma vez, me mostrou o quanto se pode mudar, sem mudar de fato, em um pequeno, curto, rápido e impetuoso espaço de tempo.

São mudanças essas pelas quais todos devemos passar. Não somente passar, mas sentir também, pois de nada nos adianta perceber um resultado final como ele nos aparenta ser sem entender suas causas, suas raízes existenciais. É como ver o final de um filme sem nem conhecer as personagens, ou o enredo da película. Você vê o Coringa (não Curinga, como minha querida professora de Soc. e Fil. disse-me outro dia, crente) explodindo as coisas e acha aquilo tudo um máximo, sem ter noção das batalhas, das perdas e dos danos anteriores que levaram àquele final. E nem das vitórias.

Muitos de nós acreditam que as consequências são mais importantes do que as causas. Sim, de fato as consequências podem ser mais importantes do que as causas, até por ser essa priorização dos pontos a vigente hoje em dia. Graças ao querido Descartes. Ele foi um gênio, aliás, mas nos deixou como legado o seu modo de raciocínio e ensino; o raciocínio cartesiano, aquele onde leva-se somente em consideração os pontos visíveis, aquilo que é tangível, de algum modo, às nossas primárias e estimuláveis concepções do mundo. Não vemos as coisas, vemos seus resultados. Não vemos uma cadeira, vemos sua função, a de sentar.

Não vemos as pessoas, vemos o que elas podem nos proporcionar. Se não nos serve de nada, um ser passa a ser completamente inútil, logo, completamente ignorável. Mesmo que possa ser essa a pessoa mais doce, mais inteligente e a mais sensível do mundo.

O pensamento cartesiano é um tipo de pensamento que foi evoluindo do banal e utilissíssimo instinto de sobrevivência. Infelizmente, voltado às práticas de uma humanidade exponencialmente crescente e gamada em seus ideiais. Vê-se hoje no céu cinza um dos seus infinítos resultados negativos. Enfim, de qualquer modo, evitando agora dar voltas em assuntos futuros, atenho-me a uma tentativa feliz: divagar sobre o porquê dos quais e poréns. E um salve! ao Los Hermanos, extinto.

Fatalidades da vida à parte, eu sorrio. Com ou sem meu amor, o Los Hermanos. Com ou sem, e, na verdade, sem os meus velhos e pesados conceitos das coisas, venho sentindo mais a vida. Não somente sentindo, o que me limitaria a uma percepção sensorial do ar que respiro; pensando, amando, dizendo, negando, lendo, ... uma sinestesia de valores, se for isso possível. E tudo isso fica claro, de uma forma ou de outra, na simplicidade da exposição dental conhecida por nós Homens, como sorriso. Acredito ter acendido o pavio da dinamite que é para mim este texto, ao ler uma passagem de um livro de Gabriel García Márquez; O Amor nos Tempos do Cólera (recentemente comentado aqui), quando é descrita a dor de um homem ao ver um outro, inválido, viver uma vida acorrentada aos prazeres minguados de alguém diferentemente limitado. E principalmente na incrustada possibilidade de tristeza profunda que o rondava, mas que mesmo assim, não o possuía. Ao ler, talvez vocês também entendam. Tive de reler a passagem duas vezes para compreender o que minha inconsciência me havia notado.

Tudo por mérito de um sorriso, persistente, que cisma de aparecer quando eu menos espero, mostrando uma vez mais e sempre, que é impossível ser infeliz para sempre. É uma questão de querer.

 O que um sorriso pode provocar...




1- Espere. Vou escrever mais sobre isso, relacionado diretamente duas pessoas que me odeiam, hoje em dia. Até.
2- Não tenha medo!, evoluir faz parte da arte de viver, M.R. !

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