18 de novembro de 2009

Lucky Johnny's Misadventures

 Nada vale a pena, até que a mente fique lenta - Anne Rice, em Armand.




O ato de não ligar para você mesmo.
Simplesmente, é uma tática venerável e completamente paradoxal; fazer o que não faria, e reconhecer, ou não, novos limites. Novos pontos distantes, melhor postando.
Ignorar aquela diferença bostial, admitir a inquieta e vivaz necessidade de comunicar-se. Não por comunicar somente, mesmo que seja assim que tudo começe... até porque 'foi do nada que veio o tudo'. Stephen Hawking.
Um belo par de pernas ele tem. Delícia!...

É complicado porque é simples. Porque é fácil, é rápido, é indolor e muito indiferente. As coisas alegres da vida são indiferentes e essa indiferença carrega pra longe os problemas. Muitas vezes são a luz para os mesmos. Enfim, o simples ato de rir resolve tudo. Sério, resolve tudo. Nada mais importa.
Você ri. Você sabe o que fazer.
Dou risada e sou feliz: logo, existo. Reformulando aquela velha frase, apenas...
É se permitir a chorar com alguem que você nunca iria imaginar de considerar como amigo(a) e perceber que isso não faz diferença nenhuma. Aliás, as diferenças não fazem diferença. São no final as afinidades que nos unem. Não é preciso anos de amizade para uma sinceridade profunda e pessoal. As pessoas tambem são sinceras. Não todas, claro, isso é verdade. O mundo não é perfeito, pasmem. Mas, e se você não arriscar?
É, você acaba saindo muito mais do que arranhado se não arriscar vez ou outra. Palavra de alguém que já quase perdeu um braço num desses 'arranhões' loucos da vida.
Não são as grandes coisas, nem os detalhes que importam. É o invisível. É o indizível, na minha percepção, que sempre me atraiu. Atrai sempre e sempre me atrairá. É quando você não consegue falar nada, ou quando não precisar abrir a boca que tudo faz sentido. Esses momentos valem a morte de qualquer ser humano.

Quando os olhos ficam parados e a face mostra-se endurecida ou lunar, eu estou lá.
Dentro, no centro. O meio-meu,-só-meu,-do-meu-ver-do-mundo-nosso.
Acredito que as pessoas precisem disso. Uma visão pessoal do mundo à volta. Uma visão pessoal do mundo é uma forma de ter-se uma consciência real dele próprio, saca? É entender o mundo nosso, atravéz do mundo só seu. É lindo, e é de graça.

Quando não podemos mais confiar em ninguém, é que perdemos a nossa vida.

5 de novembro de 2009

N.O.M.

Puxa daqui, conversa dali... e o quê sai, é um pouco do que faltava. Um prolongamento, como sempre, de tudo o que já foi escrito.

Mas as coisas não são sempre como deveriam de ser.

Não é sempre tudo a mesma coisa, as pessoas tem valores diferentes, nada é igual pra tod o mundo e, mesmo assim, buscamos uma "Igualdade" unilateralmente universal. Mas não é assim na realidade. Logo não sendo, é que existe o Individualismo. Tanto é assim, que o ritmo de crescimento da grama do vizinho virou ditado popular. É como buscar a singularidade dentro do comum. Dentro de outro. Somos tão idiotas a ponto de complicar coisas tão simples, que tornamos a igualdade em algo individual, e o individualismo virou algo comum à todos, quase como um parâmetro de igualdade entre as pessoas. Hoje, ser individualista é fazer parte de um grupo, um grupo seleto e especial.
Enfim, é tudo de lascar muito com a minha paciência. Com a de qualquer um, creio. Ou pelo menos deveria de lascar.

Tipo, tem até essa parada de Orkut novo e blábláblá...


Qual é mesmo a intenção do Orkut? Não é aumentar a rede de socialização de uma pessoa, fazendo assim com que todos falem com muitos? Bem, acho que vai contra essa maré de socialização do vazio a disponibilização de uma nova versão de um velho serviço para poucos. É segregacionar. É instigar as diferenças. Pior, é instigar a disputa, a briga, a competição. É inflamar o espírito pomposo e redondo de alguns indivíduos medíocres. É banalizar a magnífica idéia de comunicação global sem fronteiras. Isso me inconforma, de certo modo. Não me tira o sono, nem um pouco, mas me inconforma. No final das contas, não é a comunicação global que me tira o sono. É uma comunicação pessoal.


Claro, não é um texto sobre o fim dos tempos da Comunicação. É um alerta sobre novos tempos. Algo como uma Nova Ordem Mundial, ou NOM. Esse termo designa, hoje em dia especialmente, o caso do Acordo do Tratado de Copenhague. Pesquisem sobre o assunto, vale muito.

Indico também o blog homônimo "A Nova Ordem Mundial"



É pouco, até porque hoje vivi um dia forte demais...

4 de novembro de 2009

Mudança(s)

Ideia de Frances Will e seu cabelo cortadinho, e impulso de uma ainda não resolvida situação leonina;






Já parou pra perceber quantas vezes você muda?

Essa pergunta é a resposta pra muitas das nossas dúvidas e questões pessoais. Sempre achamos que quando mudamos algo de modo visivelmente perceptível, é que algo realmente mudou. Ou então, quando mudamos algo nos nossos interiores e ninguém vê, parece que não foi nada e que vai passar. Talvez passe, talvez não. Na verdade, não mudamos nada em nós, só aceitamos. É aceitar um presente a questão da mudança. Mas, como nem sempre um presente é de bom gosto, melhor ficar atento.

Atenção para aquela diferente parte de você que parece estar crescendo. Ela pode não ser você. Ela pode não estar nem crescendo, e sim, aparecendo. Reflita muito sobre as opiniões que valem a pena. Duvide muito das que não são tão intelegíveis. Não aceite críticas descontrutívas, é banal tirar um tijolo da sua própria parede.

Ninguém sabe melhor do que você o que te muda ou o que te mudou. Mais ainda o lugar onde houve a mudança. Não há ninguém que seja mais capaz do que você mesmo de se avaliar. Afinal de contas, é você mesmo o seu maior companheiro, o, literalmente, companheiro de todas as horas. Mas não seja um completo arrogante a ponto de se considerar perfeito. Nem mesmo perto da perfeição alguém pode chegar, sozinho.


É uma questão de dançar na vida que nós aprendemos a lidar com as mudanças, todas, até as de horário de verão. Acordar mais cedo é muito chato, realmente, e é inútil, de fato, mas é divertido até. Quem não gosta de sair "de noite" e encontrar o dia ainda bem claro? É uma sensação de liberdade e leveza...

Mudança.
Liberdade.

Também não vale muito a pena ficar se lamentando pelas mudanças que ocorreram fora do seu alcance. É bom ficar triste, mostra que você existe, mas viver triste só te mostra o oposto. Acostumar-se às mudanças, mesmo que contra a vontade, te tornam mais forte. Sim, mais forte. Qualquer um que sobreviva ao novo cachorro do vizinho, que agora terá 4, ou mesmo a um novo aumento de passagem, torna-se forte. Superação, palavra chave.

Mudar pede reformas. Mudanças grandes, às vezes, uma demolição completa. E se for tão grande, até um terreno novo em outro lugar. Entretanto, infelizmente ainda não inventaram uma maneira de se mudar de corpo. Ou, quem sabe, felizmente que não.

Ando escrevendo textos mais rápidos e menos pesados, tanto gramticalmente, quanto filosoficamente até. Enfim, mudanças. E não me sinto constrangido ou mal por isso tudo.

Mudança.
Liberdade.

3 de novembro de 2009

Observar

Numa tentativa cansada por alcançar o ritmo antigo de postagens. 
Quero minha liberdade de volta!





Não há muito do quê se dizer.

Um mendigo na rua costurando crucifixos em um pedaço de tecido longo e velho, verde, sentado à uma mesa de damas típica dos velhinhos de praça. Ele era velho, mas não estava jogando damas. Estava jogando com a vida. Estava jogando com Deus.
Um homem sem fé, é o que se poderia dizer dele. Talvez, alguém pudesse ir contra a nossa maré e dizer que era um homem de muita fé. Costurar Deus com uma linha frágil num pano velho; é, um ato de fé. O que mais impertigou esses pensamentos fora sua aparência, desvelada de cuidados e largada. Barba mal feita, amarelada pelo tempo e pelo pó dos dias, e quem sabe umas cervejas. Muitas até. A aparência de velho não era a de um velho realmente. Era o velho de rua, aquele que com 50 anos parece ter 70. Era um mendigo de cabelos até os ombros e mal cortados, lembrando o saudoso Raul. Mas Raul era importante. Ele teve clipe musical e tudo. Aquele homem tinha uma linhazinha, um pano, e Deus. Raul morreu de cirrose entre outras coisas, e aquele homem ainda estava vivo. Costurando a fé. Com linhas invisíveis. Num pano velho e acabado.

Tá, isso tudo vi do ônibus parado num ponto esperando os passageiros subirem, ouvindo How to Save a Life e pensando na embriaguez leve e doce de algumas cervejinhas. "As pequenas coisas que te levam a pensar em coisas grandiosas" (Clarice Lispector), isso sempre me atraiu. Assim como os pequenos detalhes, aquelas pequenas aparições da vida nos movimentos das mãos, no ajeitar dos braços, na postura nua e sonolenta, no caminhar nervoso e ansioso. Até no segurar da caneta. Esse mendigo e sua fé me fizeram lembrar de como é bom poder perceber as coisas. Perceber o mundo. Fazer parte dele e viver nele. Principalmente viver nele, até por andar faz um dias fora de algum mundo. Nem no meu mundo eu tenho passado os dias. Sabe, parece que eu passei em branco! Coisas aconteceram, aconteceram comigo, mas eu não aconteci... é, e eu fui pensando assim no embalo do ônibus.


O ônibus vira uma carruagem pros pensamentos e também um tipo de portal que te transporta pra qualquer lugar, maldito ou angelical. Uma questão de percepção, essa mesma que me relacionou um mendigo velho e suas costuras paradoxais com o Raulzito.
Senti um nervoso de continuar pensando e dormi.

1 de novembro de 2009

Saudade

- Você anda usando drogas demais, e o seu sistema nervoso parece não mais aguentar te ter como dono. Já pensou em procurar um especialista?
- Que tipo de especialista, uma puta? Talvez nem ela me ajude... HAHAHAHA!
- Não, é sério... - os olhos ficavam doloridos pelas luzes fracas e a dificuldade de enxargar dentro daquele quarto escuro. - Daqui a pouco você não consiga mais nem levantar dessa cama... e quando isso acontecer, o que vai ser da sua existência? Vai virar pó? Não, não vai!
- Do jeito que eu ando, eu JÁ sou pó, e isso não me parece nada ruim. Esqueceu do que você me disse semana passada sobre o Cazuza?
- Cazuza? Eu já falei tanta coisa desse cara...
- "Morri morto, já na cova. Vive morrendo, já na cova. Nasci sabendo que não havia escapatória. Então, porquê?" E eu te pergunto, porquê, afinal de contas? Se nem o amor me visitou nesses anos todos que eu vivi, como alguma coisa poderia me fazer negar-me ao pó? E o pó é tão reconfortante...
- A ignorância também! E isso é o que mais me incomoda em você!
- Incômodo? Agora virou uma questão de simples incômodo? Eu me incomodo de ter de levantar pra bater a cinza no cinzeiro, e me incomodo por ter sido idiota de ter deixado ele longe da minha cama. Esse tipo de coisa me incomoda. Eu sou um incomodozinho qualquer pra você?

É, o cheiro de morte, aquele cheiro negro e ocre de cinzas velhas, cinzas embebidas nos restos de líquidos das garrafas espalhadas pela casa. O ar pesado e carregado, ausente de luz dos dias que passaram e encoberto por cortinas longas e escuras. Ela já não tinha mais certeza das emoções e dos sentimentos que um dia havia nutrido por aquele menino prodigioso, dezesseis anos apenas, e já capaz de discursar sobre assuntos complexos para pessoas de mais idade. Ela não o achava um gênio, mas o tinha como alguém especialmente maravilhoso. Deus havia gasto um pouco mais de tempo naquele rapaz, disto estava certa.

- Não. Eu te amo, eu te adoro, até mesmo quando eu não te vejo mais em parte alguma dessa sua cara suja e seca. Você não tem se alimentado bem...
- Claro, quando eu comia comida saudável, sentia fome, e eu odeio sentir fome. Quando comia mal, não conseguia comer mais nada durante um dia inteiro. Desisti de comer. Até de água parece que eu não preciso mais.
- Faz quanto tempo que você não come nem bebe nada?
- Uns dias...
- Dias?! - Esticou o braço, e pela primeira vez desde que havia entrado por aquele portal alto e vislumbroso sentia o toque daquela pele suja e cansada. - Deus do céu, você está péssimo! Sua pele está rançosa!
- Virei manteiguinha! HAHAHAHAHA vou me derreter todo por você, mulher dos dedos finos...
- Para com isso, vem comigo! Você precisa de um banho e de alguma coisa pra comer.
- E pra beber!? HEIN, E PRA BEBER!? SABE O QUE EU TENHO PRA BEBER?! NÃO?! - Ele gritava nos ouvidos dela, já longe de alguma razão humana. Só havia ali a máscara infame do palhaço da Loucura e do bardo da Dor. Havia nele segundas intenções, e ela sabia disso.
- Não, não sei. O quê há para beber? - Perguntou impávida, desabalada e concisa. Não se deixaria levar pela tentativa de expurgá-la.
- Saia daqui. - Seus olhos eram invisíveis. Olhavam o chão com a mesma frieza com que este lhe olhava.
- Não vou.
- SAIA DAQUI !!!
- Eu não vou te abandonar, você não precisa desistir de tudo, você não pode perder assim!
- A vida é um jogo roubado! Cartas marcadas, dados viciados, escolha a analogia que for, mas o Homem sempre perde pro Homem, e comigo não será diferente! Só não quero retardar a verdade e amargurar mais os meus dias perdidos de vida insana e correta..
- Insanidade é tudo o que quis dizer o que nós vivemos!?
- Insanidade foi tudo o que eu consegui tirar da vida que nós seguíamos! Você é você, sua capacidade de lidar com tudo isso que insistem em chamar de vida é muito melhor do que a minha. Jamais fui capaz de lidar com a dor, com a felicidade... Nunca consegui entender o que é Amor, e já não quero mais entender.
- Mentira. Se você não amasse, não iria desistir. Você só se cansa daquilo que tenta, e você ainda tenta com todas as forças amar. Você me ama! EU TE AMO! Não há fuga, não há saída, nem desculpas ou motivos. Eu, com vinte e um anos me apaixonei por você, de dezesseis... minhas amigas ainda me chamavam de idiota e retardada por acreditar que você era especial, quando viam em você só mais um moleque mal penteado e encolhido nos cantos...
- Nunca deixei de ser isso. - Apanhou o maço de cigarros. Eram Marlboros, vermelhos. Um maço amaçado e com mancha de molhado, provavelmente de uma bebida derramada. Era a mesma tonalidade da mancha dos lençóis. Acendeu um e jogou no canto do chão, debaixo da cama, o maço. O isqueiro no bolso. - Aliás, demorei muito tempo pra entender o quão retardado eu era. Nunca valeu mesmo a pena ficar olhando você passando com aquela cara de idiota. Eu deveria ter me apagado antes de você querer me iluminar com essas luzes de palavras bem elaboradas e esses dedos finos.
- E você sempre gostou dos meus dedos. Você, que gosta de tocar piano, sempre me admirava ao tocar... porquê você ficou com tanto medo e resolvou desistir?
- Eu não tenho medo! Eu não estou desistindo! Eu já desisti, eu nunca sequer começei! Foi um erro, foi um erro...

Um silêncio.
Para ambos, dizer que o amor entre eles havia sido um erro era como dizer à Deus que sua criação era imperfeita e que merecia o esquecimento. Sim, ambos tinham certeza de que tudo aquilo merecia ser esquecido, mas sabiam também da certeza de que a eternidade de seus olhares, a sinceridade de seus toques, e até mesmo a irritante previsibilidade os tornara impossíveis de esquecer. Eles haviam vivido, e o que se viveu com todas as emoções, jamais seria esquecido.

- Não é um erro. Eu tive certeza disso no dia em que percebi que começava a te perder. Aliás, sempre tive certeza, só tive medo de admitir.
- Admitir, sentir, certezas... você adora essas palavras, não é? São o seu esquema linguístico preferido... sempre foi.
- É, porque com você eu aprendi a sentir, a estar certa, e a admitir. Eu aprendi a não ter medo do medo.
- Andou ouvindo Legião Urbana, foi? - Os olhos dele viravam para a parede da esquerda, e da parede da esquerda para o cigarro. Era um quadro de Van Gogh, "Caveira com Cigarro Aceso". Ele sempre gostara de mostrar à si próprio seus defeitos, suas falhas, suas fraquezas. Ele acreditava que isso o tornava mais forte às críticas e a qualquer possibilidade de mudança. Na verdade, mal sabia que só por acreditar em algo, tornava-se mais forte.
- A melancolia do Renato simplesmente não é suportável. Você sabe disso..
- Ele morreu.
- E daí?
- A melancolia dele acabou. - e olhou-a nos olhos. Sua fumaça expelida pelas narinas fazia com que o ar tomasse um tom acinzentado. Nesse instante ela sentiu dentro da barriga, subindo até o coração, que aquele era um momento final. Ali era a despedida. Ele estava morto, não havia volta.

- O quê você tomou?
- Você nunca vai saber.
- Conta. Eu preciso saber...
- Depois que eu fechar os olhos, quero que você saia por aquele portal e nunca mais volte. Eu vou ficar bem. - mesmo sabendo que não era verdade, porque ele não tinha certeza, disse-lhe que ficaria bem. Suas costas doíam, seu corpo não mais respondia direito aos seus comandos e a única coisa que conseguia fazer direito, era falar. Até mesmo fumar era complicado.
- Vou passar a noite aqui do seu lado. - puxou o lençol fedido e sujo para o lado, e deitou-se ao seu lado. Acalmou a cabeça em seu peito e relaxou.
- Você não vai mesmo embora, não é?
- Não.
- Nem se eu gritar de novo e começar a te empurrar porta à fora?
- Você não vai fazer isso.
Entrelaçou seus dedos aos dedos dela, jogou a guimba no cinzeiro e pediu perdão à Deus. Jurou que se houvesse uma próxima vida, não seria fraco assim. Suas mãos começaram a formigar, e com um último esforço colocou sua mão por sobre os olhos dela. Ela começou a chorar e apertou forte seu peito, e ele sentiu um pouco de dor, mas não disse e tão pouco fez alguma coisa. Desistiu de reclamar. Desistiu de afastá-la nos momentos bons. Ele morrera. Ela, dormira.
Ao acordar no dia seguinte tentou acordá-lo, infantilmente e inocentemente. Quando se permitiu, chorou. Levantou da cama e caminhou pelo portal.
Nunca mais voltou. Nunca mais soube qualquer coisa sobre aquela casa e sobre ele. Mas agora discordava de Cazuza quando dizia:

"Eu não posso causar mal nenhum
A não ser a mim mesmo
A não ser a mim mesmo
A não ser a mim."

Levou consigo seu isqueiro de metal e uma mecha de seus cabelos pretos. E o Amor, e os detalhes.





Eu não sei o que é isso, mas eu sei o que provocou. Vide título.

23 de outubro de 2009

Sem Título

Talvez a melhor forma de começar seja pelo fim. A morte.

"O fim dos seus dias", "O último badalar dos sinos", "A derradeira bebida", "O último trago", "A despedida repentina"; não importa, são todas iguais. Todas são o fim do início e o início do fim, que para muitos é só o prelúdio de um outro início.

Você está em casa e resolve que precisa comprar ovos. Vai ao mercadinho, e pede ovos. Compra ovos, caminha pela calçada da direita, leva um tiro (sem notar) na cabeça e morre.
Morre? É, você morre. Simplesmente. Banalmente, você morreu. Quando, banalmente, você estava voltando após ter comprado ovos, o que ganha: um tiro. E perde também a vida.
Não há uma segunda chance como nos videogames, e nem há uma outra possibilidade. Você está morto.

E quando você morre, o mundo para? Pelo contrário. Ele parece existir mais rápido, andar mais rápido, voar mais rápido e é você que está atrapalhando tudo com o seu corpo ensanguentado e esticado grotescamente no meio de uma calçada da direita. Grotescamente esticado como somente o abraço da morte poderia ter-lhe deixado.
E as suas coisas, o que será delas? Pessoas irão remexê-las e desfazer-se de muito, e aproveitar somente aquilo que lhes for interessante. Vão fazer o papel dos decompositores e exterminar qualquer vestígio de sua passagem pela Existência. Aquelas que gostaram de você, te acharam um cara legal e tudo o mais, vão continuar a vida. As que te amaram, vão morrer em alguma proporção. Se você não se permitiu amar ninguém...

Seu cachorro vai continuar sujo, seus projetos não serão concluídos (pelo menos por você), a roupa molhada vai continuar dentro da máquina de lavar e você ainda vai deixar alguém te esperando para aquele compromisso de hoje à tarde. Não há jeito, não há como avisar: se morre. A morte sim, essa indiferente criatura, essa é quem vai avisar aos outros de algo: de que você não faz mais parte da vida. Você se foi. E o mundo haverá de ter perdido a sua presença, o seu sorriso, o seu choro e o seu calor.

Mesmo que você tenha fumado dois maços de cigarro nos últimos vinte anos, que tenha bebido das mais loucas bebidas, até o mais tradicional whisky schot. Mesmo até que você tenha corrido pelas ruas ou na academia, ou que tenha feito check-up ao final de cada mês, você estará morto um dia.

Pensado isso, cai em nós aquela torrente de perguntas: Quem eu terei sido ao final da vida? Quem terá me visto viver? Por onde terei ido? Quem terei conhecido? Quantos anos eu terei? O que terá escolhido meu filho - Medicina ou Psicologia? Mas, mesmo que você encontre ou não resposta para alguma dessas perguntas fatídicas, a mais importante é: Será que valeu a pena?Parece pouco, parece pequena demais. Mas, pode acreditar; se você tiver resposta só para esta pergunta, nada mais será indagável.
Faça-se o favor e facilite a sua resposta largando para longe todas as bobagens e pequenas coisas e vivendo a vida que há para viver.

Perdoe... sempre!!!

14 de outubro de 2009

Sobre Descartés, evolução e sorrisos.

-Texto puxado de dentro para fora por uma gama de acontecimentos possitivos e outros um tanto quanto vomitáveis.-



Acho graça em muitas coisas. Acho mesmo graça em fatos e coisas que outras pessoas, geralmente, ou não acham engraçadas, ou simplesmente não notam. Pego a mim mesmo diversas vezes sorrindo sem um motivo aparente e me percebo, novamente, despreocupado em querer encontrar um maldito motivo de um sorriso tão gostoso de esboçar. Acho que é só a leveza do Caos em que todos nós vivemos olhando para mim. Todos.

Também não acho, nem vejo mais graça em determinadas coisas e fatos. Antes o que me fazia sorrir, me faz agora ficar calado. É uma mudança meio brusca, admito, mas que conseguiu trazer toda a sutileza da verdade aos meus dias. Antes, quando eu sorria, era algo sinistramente mecânico e imperceptivelmente irreal. Uma brusca ruptura com alguns dos padrões humorísticos que me mantinham, mais uma vez, me mostrou o quanto se pode mudar, sem mudar de fato, em um pequeno, curto, rápido e impetuoso espaço de tempo.

São mudanças essas pelas quais todos devemos passar. Não somente passar, mas sentir também, pois de nada nos adianta perceber um resultado final como ele nos aparenta ser sem entender suas causas, suas raízes existenciais. É como ver o final de um filme sem nem conhecer as personagens, ou o enredo da película. Você vê o Coringa (não Curinga, como minha querida professora de Soc. e Fil. disse-me outro dia, crente) explodindo as coisas e acha aquilo tudo um máximo, sem ter noção das batalhas, das perdas e dos danos anteriores que levaram àquele final. E nem das vitórias.

Muitos de nós acreditam que as consequências são mais importantes do que as causas. Sim, de fato as consequências podem ser mais importantes do que as causas, até por ser essa priorização dos pontos a vigente hoje em dia. Graças ao querido Descartes. Ele foi um gênio, aliás, mas nos deixou como legado o seu modo de raciocínio e ensino; o raciocínio cartesiano, aquele onde leva-se somente em consideração os pontos visíveis, aquilo que é tangível, de algum modo, às nossas primárias e estimuláveis concepções do mundo. Não vemos as coisas, vemos seus resultados. Não vemos uma cadeira, vemos sua função, a de sentar.

Não vemos as pessoas, vemos o que elas podem nos proporcionar. Se não nos serve de nada, um ser passa a ser completamente inútil, logo, completamente ignorável. Mesmo que possa ser essa a pessoa mais doce, mais inteligente e a mais sensível do mundo.

O pensamento cartesiano é um tipo de pensamento que foi evoluindo do banal e utilissíssimo instinto de sobrevivência. Infelizmente, voltado às práticas de uma humanidade exponencialmente crescente e gamada em seus ideiais. Vê-se hoje no céu cinza um dos seus infinítos resultados negativos. Enfim, de qualquer modo, evitando agora dar voltas em assuntos futuros, atenho-me a uma tentativa feliz: divagar sobre o porquê dos quais e poréns. E um salve! ao Los Hermanos, extinto.

Fatalidades da vida à parte, eu sorrio. Com ou sem meu amor, o Los Hermanos. Com ou sem, e, na verdade, sem os meus velhos e pesados conceitos das coisas, venho sentindo mais a vida. Não somente sentindo, o que me limitaria a uma percepção sensorial do ar que respiro; pensando, amando, dizendo, negando, lendo, ... uma sinestesia de valores, se for isso possível. E tudo isso fica claro, de uma forma ou de outra, na simplicidade da exposição dental conhecida por nós Homens, como sorriso. Acredito ter acendido o pavio da dinamite que é para mim este texto, ao ler uma passagem de um livro de Gabriel García Márquez; O Amor nos Tempos do Cólera (recentemente comentado aqui), quando é descrita a dor de um homem ao ver um outro, inválido, viver uma vida acorrentada aos prazeres minguados de alguém diferentemente limitado. E principalmente na incrustada possibilidade de tristeza profunda que o rondava, mas que mesmo assim, não o possuía. Ao ler, talvez vocês também entendam. Tive de reler a passagem duas vezes para compreender o que minha inconsciência me havia notado.

Tudo por mérito de um sorriso, persistente, que cisma de aparecer quando eu menos espero, mostrando uma vez mais e sempre, que é impossível ser infeliz para sempre. É uma questão de querer.

 O que um sorriso pode provocar...




1- Espere. Vou escrever mais sobre isso, relacionado diretamente duas pessoas que me odeiam, hoje em dia. Até.
2- Não tenha medo!, evoluir faz parte da arte de viver, M.R. !

12 de outubro de 2009

Nós não estamos sozinhos, estamos à sós.

"O Amor nos tempos de Cólera."

O quê esta frase lhes disse?
Acho que sou megalomaníaco, mas acredito poder escrever sempre, por sempre ter muito a dizer. Muito a quem dizer, por quem dizer. Mas, por via de uma consciência externa, me percebo como alguém mais uma vez falando se si próprio.

A minha mais nova conclusão do porquê desse crescente movimento de pessoas que, quando escrevem, escrevem sobre si, nos diz que é resultado de um processo de individualização do indivíduo. Mais extremo do que parece ser pelo nome, é algo como a inserção da individualização, processo esse necessário, a individuação do ser. Estamos nos vendo como seres desnecessitados de outros seres, ou que, simplesmente, percebem outros como asceclas pessoais.

Ha alguns anos vem ocorrendo esse processo que pode ser tido e dito como "A Objetação do Homem". A cada dia, cada vez mais e mais o Homem tem se tornado objeto do Homem. Uma louca e amarga cultura do eu sozinho cresce a cada instante, a cada sorriso não dado,a cada abraço negado e a cada palavra feia que é dita.

Amor nos Tempos do Cólera, livro de Gabriel García Márquez que me inspirou a frase lá do início, conta, principalmente, a história de um homem que vive por cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias longe de seu amor, e morre por essa triste saudade. Um livro muito interessante que me fez, em conjunto com outro conjunto de palavras, escrever este texto.

Já fazem alguns dias que não deixo aqui um texto meu. Ando escrevendo somente coisas pessoais, mas Deus entende.

Tanto o bom velho me entende, que de modo não menos agradável e doce me presenteou com um texto amigo. Um texto feminino, ainda (aprecio os textos femininos, assim como as femininas escritoras). Conclusivamente um estímulo às minhas palavras e à minha caneta, que já quase acaba.

Um desabafo, meus amores. Tudo de que eu precisava: um desabafo. Um belo conjuto harmonicamente jogado de palavras e muito sentimento. Tanto eu dele precisava, como de mim, ele, a mim mesmo esperava. Um desabafo doce e simples. Um desabafo com uma amorosa tentativa de complexidade. E bato palmas e canto loas ao teu empenho, seguramente alcançado.

Necessariamente, alguns muitos desprezariam um desabafo, bom ou mal, perfeito ou ridículo que fosse. Admitam: A ideia do desabafo alheio lhe incomoda o vêntre. Pois que é, muitos de n´s negariam esse precioso veículo de intercomunicação de sentimentos. Muitos de nós se dizem ocupados demais, preocupados demais, cansados demais para ouvir alguém.

Sempre queremos o "venha a nós o Vosso Reino", mas nunca, jamais admitimos "que seja feita a Vossa Vontade".

Assim na Terra, como no céu, fazemos questão de nos mostrar como pessoas cansadas, ocupadas e preocupadas demais quando nos é pedido um pouco de atenção e carinho. Um absurdo, primeiro por não sermos realmente tão ocupados e cansados assim, segundo, por mantermos externamente o extremo oposto. Fingimos sermos perfeitos e autossuficientes, quando na verdade, na pura e profunda verdade, não somos o primeiro, e muito menos, de longe, podemos sempre ser o segundo.

Nos é preciso cair na aceitação da realidade, para podermos enfrentá-la. Vamos lá, admitam! Admitam logo que nenhum de vocês é realmente pra baixo sempre, ou exclusivamente pra cima o dia todo. Eu mesmo escrevi até agora usando a primeira pessoa do plural. Vivemos numa época paradoxal e profundamente superficial, onde os limites da comunicação vão se extinguindo e, talvez por isso, as pessoas tenham perdido o precioso senso de valor das palavras.




Incrível como conseguimos fazer com que, em 140 caracteres, um número qualquer de indivíduos se sinta, falsamente, parte do nosso cotidiano. E enganamo-nos, o que é terrível. O mais curioso, porém, é que mesmo com toda essa evolução tecno-comunicativa, ainda não consigamos olhar nos olhos de alguém ao lhe dirigir a palavra. Não conseguimos nos permitir tocar uns aos outros, trocar sensações básicas enquanto trocamos palavras.

É realmente um mundo paradoxal. Um paradoxo essa mistura de esperança e desesperança que a nossa época nos instaura. É triste perceber que muitas pessoas boas têm de se utilizar, de modo desesperado, de coisas que são normais.

Sinto inveja dos idílicos anos 70.

Desculpem-me pelo desabafo, mas acredito que andamos agindo como seres inferiores, se esse conceito de inferioridade existir, de fato. E eu vou continuar ouvindo todos os desabafos, de todas as pessoas amáveis. Prazerosamente.





As pessoas amáveis realmente merecem ser amadas.

28 de setembro de 2009

Exercício da Vivência.


É um exercício complexo esse de convivência. É algo que requer maturidade, que pede a sua mais profunda capacidade de aprendizado e, atenção. Muita atenção para não trocar as bolas.

Toda essa preocupação, vez por outra, ou passa extremamente despercebida, ou absolutamente descontrolada, tomando controle até de nós mesmos. Isso só poderia ser entendido como um medo do desconhecido, como uma perturbação do além-mundo, essa coisa de conviver. "Con-vi-ver", viver com, mas não somente com. Também entre, por, via, sobre, sob. Viver, entrelaçar-se, desprender-se do apego minimalista para apegar-se ao todo. Esquecer a diferença e dedicar-se, de corpo, alma e tinta, ao ato de convivência.

(Reparem, estas serão as grandes tendências motrizes das postagens daqui em diante: Relações, Eu's, Amor e Ciências).

Requer de muitos um esforço equânime ao de Atlas, carregando o nosso mundo às costas. Interessante, ele carrega todo o mundo nas costas... e ainda existem pessoas que acreditam carregar fardos imensos. Eu mesmo acreditava nisso. Hoje, prefiro encarar meus pesos como oportunidades, meios, modos de melhorar. Caminhos novos para entendimentos novos, conhecimentos novos de coisas, pessoas, mundos inteiros e inteiramente novos.


Mas, como nem tudo são rosas e espinhos, existem ainda as lagartas.


O desvio da intenção correta daquilo que é natural em nós é um acontecimento influenciado, basicamente, pelas impressões externas e as diretrizes alheias a nós próprios. Ou, como mamãe diz: Más influências. Amizades mesmo. Colegas, coleguinhas, conhecidos. Existe toda a certeza de que cada uma dessas pessoas que passam por nossas vidas todos os dias sejam também parte de nós mesmos. Desde o mais ínfimo pedaço de nossos Eu's, até a mais profunda característica pulsante e vigente.

Entretanto, como que por mágica, muitas vezes essas pulsantes características, simplesmente deixam de ser vigentes e, certamente, muitos perdem um pouco da noção de si próprios.
Isso é preocupante. Não existe armadilha maior para um ser ainda em estágio de formação do caráter, do que um longo e complicado período de desperdícios e erros, seguido de erros, seguido de erros e seguido de erros. Pois bem, essa é exatamente a hora em que temos a possibilidade de nos soldarmos mais em nós mesmos. De sermos o que viemos para ser e, galgar lugar dentro de nossas vidas. A escolha certa passa a ser todas elas, todas, todas as que são tomadas durante o dia a dia.

Não quais decisões toma, mas simplesmente como as decide. Não importa aqui o resultado, mas o caminho percorrido até ele. Sim, é um exercício que requer maturidade essa coisa outra de aprender e crescer. São duas coisas que coexistem e que nos formam: Convivência e Aprendizado.
Sem ambos, seria no mínimo complicada a existência da raça humana aos bilhões. Poderíamos ainda hoje ser um grupo de macacos. Ou então seres que tentam se isolar uns dos outros. De um modo ou de outro, estaríamos fadados ao fim, à extinção.


Mas, será que já não estamos fadados à isso? Acredito que não.
A cada dia que passa e, bem, para cada um de nós pode-se contabilizar um número maior de acontecimentos que podem mesmo nos fazer acreditar que, cedo ou tarde (mais cedo do que tarde), seremos eliminados por nossos erros. Mas não, não creio que seja uma questão de erro e correção. É algo mais do que isso. É uma questão de erro, aprendizado e evolução, sem a parte da "correção".

Nós não podemos fugir daquilo que nos amedronta
- F. Dostoiévski

Pois bem, que encaremos nossos problemas e as situações em que nos colocamos, ao invéz de passarmos boa parte de nossas vidas que, de modo recompensador ou não, é 1/3 perdida dormindo. Uns, aceitam isso como um merecido descanso. Outros, como eu, encaram essa perda de tempo como uma simples perda de tempo. De uma maneira ou de outra, vivam. Mas, acima de tudo, pensem, mesmo que seja antes de dormir e não pensar em mais nada.





Não esqueçam de beijar as mães de vocês ao acordar. Os pais também, claro.

27 de setembro de 2009

A Crise de Percepção. - ou - A Música das Esferas.


Ando vivendo momentos de reflexão. Uma reflexão grande e não necessariamente auto-crítica. Ando revendo (e vendo) desde os porquês que me direcionam a seguir um determinado caminho que me liga de um lugar ao outro, até o mais pessoal e profundo "porquê dos quais e poréns". Também não é uma questão de necessidade, muito menos de insegurança. Pelo contrário, a reflexão em si, no meu caso, sempre foi uma ferramenta que me ajuda a embasar mais e mais minhas próprias perspectivas do espaço à volta.

Algumas das vezes essa ferramenta me permite constatar que, aquilo que me era tido como 'X', na verdade é um 'Y'. Ou que simplesmente não existe matemática para aquela. Compreendi também que hoje o principal motor da problemática humana não é uma falta de possibilidades, ou um despreparo inerente de nossa raça para lidar com os problemas mundiais, políticos e econômicos, regionais ou pessoais; é uma simples e, ao mesmo tempo, complexa crise de percepção.

Quero antes de tudo avisar que, por mais que um texto possa a vir a ser resumido ou expresso em uma única linha de pensamentos ou um único grupo de conjugados pensamentos analíticos, palavras são sempre mais do que palavras. Logo, um texto pode ser aplicado em todas e quaisquer circunstâncias de nossas vidas, em nossos cotidianos, em nossos particulares e no nosso público viver, passando do respirar até o grande assunto das bocas, o Amor. Esses dois pontos, aliás, explicitam dois extremos que curiosamente se chocam diariamente nos nossos pensares e nos escritos dos mais bem conceituados poetas e escritores.

Hoje, a noção crítica e pessoal deu lugar ao senso comum. Não no vinhés conhecido por nós, alunos de ensino médio e pré-vestibulandos, mas sim na questão do literal senso comum. O grupo, o Todo, pensa de um modo individualizadamente grupal, como se cada tomada de atitude ou cada não-tomada da mesma fosse em prol de um Todo. É uma complicada mistificação do 'amor ao próximo' e um total descaso com o 'à ti mesmo'.
Poderia ser atribuída essa tal crise como sendo resultado de uma vontade superior, no sentido humano, ao Poder. O Poder, nas mãos de uns poucos, torna toda uma humanidade, a nossa raça, subjulgada por um grupo minoritário e detentor das mais variadas formas de regulação social, política, econômica, pessoal... e por aí vai.

Mas não. É uma questão pessoal. É um "quê" tão intimamente intrínseco, que passa despercebido. Continua a passar despercebido, por sinal. Eu mesmo não sei o que seria esse "quê" elucidante e libertador.

Acho que a melhor forma de explicar essa tal intrínseca solução, esse "quê", seria relacionando-o com a Física e com a Química, matérias que venho estudando vestibulosamente.
A muito tempo atrás, e eu não vou me preocupar nem um bocado em medir temporadas, nosso tão querido e amado Newton propôs, atravéz de inúmeros e perfeitos cálculos, as mais variadas formas e interpretar os fenômenos da natureza. Essas elucidações por sí só, transformaram toda a mente humana da época, e além dela, como ainda hoje em dia podemos observar. O problema ao qual vou me ater, porque existe mais de um problema na temática newtoniana de ver o mundo, é que tais fenômenos são estudados e explicados em isolado, em seperação de um todo.

Alguns devem lembrar, lá das aulas de Química, quando se foram vistos os primeiros modelos atômicos propostos. Logo, aprendemos o modelo atual de idealização de um átomo, a matéria principal e constituínte de todas as outras formas. Na época de sua descoberta, houve por parte dos cientistas toda uma perturbação ao descobrir que, ao redor de um átomo, rodeavam-lhe outras partículas menores, os elétrons. Porém, o grande choque de realidade foi recebido quando notou-se que o que havia entre um elétron e o núcleo de um átomo, eram grandes espaços vazios. Não somente as grandes distâncias entre o centro e os elétrons assustavam os cientistas, como também a noção de que, por exemplo, se um átomo é do tamanho do Rio de Janeiro, o estado, o núcleo seria do tamanho do campo do estádio do Maracanã, e que a distância entre um elétron e o núcleo de um átomo é tão proporcional quanto a distância do Sol à Terra.
Sim, é uma escala realmente perturbadora e chocante.

Mais chocante ainda foi entender que, para se medir um elétron, você só poderia fazê-lo em um determinado momento. No exato instante seguinte, aquele mesmo elétron já não mais estaria no mesmo lugar, assim como já não seria mais a mesma partícula.

"Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio" - Heráclito

Para entender melhor, é como se um elétron não existisse. Ele existe no momento em que precisa existir. Ele passa a existir quando precisa coexistir com outro elétron. Essa talvez seja a melhor forma de se explicar essa idéia, um tanto quanto confusa.

A matéria como nós a entendemos hoje, é constituída pelo princípio da solidez. Matéria sólida essa, com enormes espaços vazios entre um átomo e outro, entre um elétron e seu núcleo. Então, como nós não atravessamos paredes, ou caímos por entre chãos e chãos de matéria?

A resposta está na tendência. A tendência de que cada elétron, sendo infinitamente pequeno e que exista em constante movimento tenha de se associar à outro elétron. É uma relação, uma ligação, um contato, uma troca, uma coexistência.

Assim como na Ciência, as soluções não existem de fato. Elas seriam intrínsecas, seriam naturalmente parte de nossa existência, tornando-se reais ao passo de que as necessitamos. É o problema da falta de percepção dessa necessidade que nos torna cada vez mais distantes uns dos outros, feito elétrons e seus núcleos. Cabe a cada um de nós pensar, utilizando desta ferramenta unicamenta capaz, o cérebro, em como criar nossas soluções. Em como criar nossas relações, nossas ligações e vidas.


"Um homem pode viver sozinho, mas um Sozinho jamais será um Homem."



1- João Victor melhorando suas afinidades filosóficas com as científicas.

25 de setembro de 2009

O apartamento, as 23:57, Maroon5

A música que toca faz com que eu dance e
ela olha nos meus olhos que cintilam
e sente o cheiro do meu corpo
minhas asas
minhas garras

Envolvida no torpor mal sabe ela
que quem se envolve sou
eu, que me aproveito de minha
fraqueza momentânea, e
faço pose de malvado

Ameaço destruir seu quarto se ela
não abrir as pernas pra mim naquele
instante.
Ela ri.
Ela ri, pois sabe que o que tenho nas mãos
não passa de um pau
grosso e grande.

Eu deveria tê-la ameaçado de
destruí-la com meu pênis. Mas ela
iria gostar disso.
Deveria então tê-la ameaçado de destruí-la
por dentro
com as minhas palavras.

Mas não surtiriam efeito algum
as minhas balas
fálicas
cruzando o vazio
que se expande por dentro
daquelas pernas arreganhadas.

Ela sempre esteve arreganhada para mim.



Não se assustem ; é só uma tchotchokazinha e uma rosa vermelha (:

21 de setembro de 2009

Do porque dos caminhos seguirem como seguem.

Eu juro; eu tentava deletar postagens antigas. Aquelas postagens, que mesmo eu tendo feito com certo esmero e determinado sentimento no dia, agora, nossa, até embrulham o estômago. É complicado apagar o passado, mesmo que de uma forma singularmente simbolista.

O dia está chuvoso e as coisas aconteceram durante o mesmo.

Um dia de chuva, como o de hoje, é suficiente para encher muitos rios. Rios grandões. Muitos rios mesmo. Daria para acabar com a sede de muitas pessoas do Nordeste, irrigar plantações, limpar roupas de festa e deixar as pistas da Serra das Araras realmente perigosas. Mas, não foi nem mesmo a chuva que impediu as coisas de acontecerem hoje. Não hoje, ou ontem, ou antes de ontem. Amanhã? Menos ainda.

Assim como o cinza, acredito que a chuva seja um marco de passagens. Passagens essas boas ou más. Hoje, num dia de chuva, num dia que teria tudo para ser tristemente cinza e molhado, o dia foi-se mostrando maior do que a possibilidade negra: foi coloridamente cinza e molhado.

Ah, chuva que bate nas faces e faz o vento frio ser algo confortável. Nem mesmo as dificuldades ou as póstumas resfriações, fungadas e escorridinhas incomodam. Elas lembram, aliás, que tudo correu bem. É a magia do bem se manifestando em coisas não boas.

Mas, já ia me furtando de mim mesmo meus ideias que havia pretendido aqui explanar. Pretendi isso tudo, que ainda não sei se vai sair por completo, no caminho para casa dentro de um ônibus abafado e quente. Junto, eu passava pela corrosiva situação de me encontrar dentro de uma caixa de metal lacrada, onde pessoas, todas juntas e sem pudor, respiravam e liberavam o que havia dentro delas. Literalmente, eu respirei o mesmo ar que eles, e, de um modo biologicamente dito, fiquei incomodado e quase nervoso. Deve ser fobia, ou frescura.

A parte mais apetitosa foi ter visto uma digna senhora, ao meu lado, removendo o embaçado do vidro sujo com o indicador da mão esquerda. Fiquei olhando de rabo de olho aquela situação e, ao fim, ela havia limpado o vidro e via tudo lá fora. Mas, como limpar o dedo, agora mais sujo do que o vidro?

Esfregando na calça.

Repulsa!, repulsa!, ojeriza!, asco!, mais repulsa e mais asco!

Bem, ai tomei noção de que a chuva lá fora e o calor dentro de ônibus tinham uma relação direta.
Percebi também que o desejo da senhora de limpar o vidro sujo com o dedo, para poder 'ver melhor' o mundo lá fora, tinha relação direta com a chuva, e que minha repulsa, meu asco e minha ojeriza, todos tinham uma relação, indireta, com a chuva.

A chuva limpa, mas é fria. Quem não está acostumado com essa sensação de frio, simplesmente negasse a sentí-lo, e afoga-se dentro de um calor infernal. Também quem não gosta do frio que vem com a chuva, não gosta de molhar-se. Logo, mais um motivo para lacrar-se e tornar uno o calor e o abafado.

É por essa postura, principalmente, de querer negar-se ao prazer de viver algo diferente do comum que muitas pessoas se colocam em situações torturosas.

Mas, para fecharmo-nos dentro de nossos mundos, dentro de nossas caixas de metal quentes e abafadas, perdemos o tato com o mundo. O mundo lá fora. O mesmo mundo do qual fazíamos parte. Então, para não sentir-se longe de tudo o que nos faz viver, damos uma sujada em nossas mãos e fazemos coisas indignas. Coisas podres, coisas realmente feias, com o intuito mero e simples de acreditar mesmo que se faz parte do mundo, mesmo que só vendo-o por uma janela desembaçada (e gotejada pelo lado de fora).

Não embarque nessa de se fechar. Não vale a pena.

Enfim, é por isso que não gosto de voltar para casa em dia de chuva, de ônibus. Espero ter explicado bem o ponto.




Postzinho misturado, hein, João Victor?

18 de setembro de 2009

A Insustentável Leveza do Ser

Vim pisar e chutar nessa merda maldita, que o mundo e seus habitantes cismam em chamar de MORAL.
Moral, malévola e preconceituosa Moral.
Moral avessa. Moral imoral, só por si em si, por si só.
Idolatria diária, o exercício da nefasta função de opressora da liberdade.
Moral divergente, divisor de mentes, anaquilador de amores, insetiscida de simpáticos.
Corruptora de menores, destruidora de lares, Mal do Século.

Moral

Potente pomposa poderosa.
Pavíl curto da sociedade. Intolerante admissora de diferenças; hipócrita, falsa, berço dos bebedores de sangue.
Moral moralista. Moral vanguardista, daquelas que nunca se viu, mas que sempre dever-se-ia seguir. Acompanhar, não entender.

Moral comunal: Utopia. Utopia do reverso, do progresso possitivista 'que não rendeu na Europa'.
Coisa de brasileiro. Coisa de quem gosta de dar um jeitinho todo especial nas coisas. É moral dar um jeito, é um jeito bem moral ajeitar as coisas desajustadas, desajustadamente.

O conteúdo, a ideia implícita da mesma em algumas das mentes pulsantemente pensantes, logo nos leva à uma encruzilhada: Moral, Ética, Direitos e Deveres? Quando, onde e como distinguí-los hoje, onde tudo é tudo, e nada é mais só o nada? Perde-se o poder de individualização, de singularidade significativa; dá-se margem aos multi-textos, ao vários pontos de vista das vistas tortas e cansadas.

O Mundo, os Homens, ninguém mais sabe dizer o que é Moral. O que é a Moral.
Aliás, todos sabem. Logo, ninguém realmente sabe.
Quando todos dizem o mesmo, é porque algo está complicadamente errado...

A Moral é, sempre foi, sempre será e nunca deixou de ser menos do que ridícula. Mais uma das regras, mascarada como conjunto delas.

Ai, imoral disposição de despir um conceito...


João Victor tem uma honorária professora de Filosofia e Sociologia. Porém, a coitada teve de ensinar Moral hoje na aula...

17 de setembro de 2009

Se foi para rir, parabéns; rimos. Se foi para ferir, parabéns; você está morto.


Ah, como eu poderia; poderia escrever em especial, direcionar as minhas palavras e de um modo bem subversivo, peverter toda a inanidez da previsibilidade humana. Tornar tátil algo insignificante e humorístico, como só a ausência de realidade em outrem poderia causar.

Vá saber por onde essa tua tão aclamada e profana noção anda. Talvez esteja mesmo aí, contigo; no fundo do poço. Cá eu fico, com minhas 'putrefatas e indignas' coroas. Coroas, e não coroa. São muitas.

São muitas, são belas, são formosas. E, por sinal, todas me agradam. Não pratico mais a ação injurioza que só os fracos praticam: julgar.
Larguei mão, oras! Galgado espaço, havia eu, em lugar que não me era: do teu lado, no fundo do teu poço, do lado da tua noção putrefata e indigna da realidade.

Suas palavras têm dificuldades gloriosas para andar.
Mal sabem fazê-lo ainda... como poderiam, ao menos, me avistar no horizonte onde nasce um novo Sol a cada dia? Um Sol belo e formoso, que por sinal, me agrada muito.

E o Sol aí do fundo? Tens esse 'privilégio'? Conheces o calor, o prazer e a vivacidade? E a tua amiga, essa nova, que clamas tanto como inatingível e divinamente superior? Ela conhece as felicidades da vida, ou mima-te com poemas mal traçados e pequenos?

Meu Sol não tem tamanho. Ele mal cabe em meu céu; suas luzes parecem queimar toda a água dos meus mares.

Vivo no amor, amor puro e sem julgamentos. Um amor consciente e vivo. Pois só os vivos, vivem.


Espero que até aqui tenhas tido a capacidade suplantar de admirar o que um Homem ao Sol pode fazer, sem fazer nada. Só na idéia, só na palavra. Só na brincadeira.
Palavras não são nada perto da vida. Pergunte a quem escreve de verdade e sem muletas: Eles te dirão que sim.

Também te dirão que é arrogância demasiadamente ridícula escrever ao invéz de dizer. Se não sabes, palavras ditas são mais fortes que palavras escritas numa máquina, além de poderem lhe conquistar, mesmo que à falsos méritos, um status de 'corajoso' (pois coragem que, para uns, é
fazer, para outros, ainda é o falar). É, talvez seja mesmo melhor não dizeres nada: não estás mesmo preparado para dar esse ínfimo passo, o de fingir ser algo bom.

Talvez, seja melhor continuar mutilando mais um, com suas unhas, suas garras. Continuar torturando mais um, em uma sinfonia de vazios e Eus, também vazios.
Tua amiga realidade não vai te acompanhar para sempre, meu caro. Nem mesmo esse torturado que te segue cegamente, desesperadamente. Um dia, ele não aguenta mais e se vai. Um dia, ele não te aguentará mais, vomitará, e irá partir também. Sabe-se lá para onde ou de onde. Mas nós sabemos o porquê.

Pergunte a todos que não te olham mais com olhos vivos. Pergunte a todos, aliás: não existe um que te olhe. Você é só mais um tentando, seja lá o que for e não conseguindo.


É até interessante observar as tentativas tuas ao tentar ser algo de bom. Logo, vários e incontáveis pontos se unem, formando assim a linha, a corda, a corda que te enforca sempre. Parece muito com a tua própria língua, essa ferina que te faz acreditar levianamente que decretas o enforcamento de alguém, ao proferir de vez em vez palavras torcidas e chorosas, fracas e perdidas. Ela te engana, meu caro, com maestria. Mas meus ouvidos se tornaram apurados, também, para mais essa ladainha.

Agora, eu, Rei do meu Reinado de Sol e Amor, corouo-te Rei também; Rei da Solidão e do Ódio.
Pode acreditar que afogar-se cada dia mais e mais em teu ódio não te fará melhor.


En fini
, não desejarei nada para você. Não é o que precisamos aquilo que desejamos. Talvez, e somente talvez, digo que você ainda venha a sofrer muito, até notar que fora enterrado dentro de uma cova funda e escura.

Só tenhas certeza disto: Não louvarão a tua vida com flores.



.
Agora, explicito aqui alguém, alguém que sempre me acompanhou e que sempre me acompanhará dentro de meu Caos, meu Perfeito Caos:


Soneto da revolta

Então você perdeu mais um amigo
Da sua pequena e insignificante coleção
Você perdeu um dos grandes
Não o maior, mas o mais valioso

Antes de dizer que controla todas as marionetes
Do seu Show de Horrores
Olhe para cima e veja:
Você não controla nada nem ninguém

Suas palavras não possuem valor
Seus poemas à A. de Azevedo não são,
Não são mesmo tão bons quanto você acha que são

Eu quero viver no caos
No caos perfeito dos sonetos
Que você nunca conseguirá fazer




1 - Pense antes o que vai-se publicar, e para quem principalmente: João Victor não é hipócrita e responde bem, muito bem.

2 - E trocadilhos com imagens no título, só quem pode, pode.

15 de setembro de 2009

Um pouco de frio e uma dose extrema de literatura de ótima qualidade, regrada por uma paz de espírito IN-CO-MUM.


"(...)E a vontade de retaliá-los, só com intuito de marcar presença, de dizer o que deve ser dito, de não se sentir por baixo, coibido.

Ah, o prazer do defenestrar; sublime sensação material de desfazer-se daquilo e disso. Poder fingir mudar o mundo, as pessoas, jogando tudo fora por uma janela. Mas sempre que se joga algo pela janela, há a chance de acertarmos alguém bem na cabeça. Isso dóóóói...

Eu só quero dormir, o sonho bom do sono indisolúvel, impenetrável. Imaculado sono de Madre. Será que madres tinham sonhos de paz? Será que as pessoas sonham com aquilo que já tem, ou só sonham com o que não tem ainda, e um dia virão a ter, ou não? Sabe-se lá, é tudo sonho. Ao contrário, sonhos não viram realidade. Isso é inquestionável, até porque ninguém sonhou com o sonho. Sonhos nos mostram o que podemos ser, mas não que seremos aquilo; nunca nos tornamos sonhos. Até porque somos de verdade, e sonhos não são reais. Não se tocam os sonhos.

Venho seguindo conselhos de grandes da literatura, mesmo que não lembre de seus nomes. Aliás, dificilmente me lembro dos nomes. Nunca me lembro dos nomes. Nunca me lembro do que dizem, só saio falando e não me importo muito com o "quem disse", "quem escreveu", "quem peidou" ... só escrevo. Assim como eles também só escrevem, muitos, e não se importam de não dizer quem os influenciou, mesmo eles tendo quase sempre tanta noção disso tudo quanto de que o Sol é assim e a Lua, assado.

Não é um clichê. Até porque clichê não é algo realmente clichê. Tudo é clichê, se formos pensar pelo ponto de vista da Física Moderna. Também não precisaríamos ir tão longe, ou comprar livros tão caros e complicados; é só dar uma olhadinha a volta.
Tudo anda clichê. As pessoas andam clichês, sempre dizendo, pensando e reclamando das mesmas coisas. As aves também, principalmente os pombos: Malditos pombos: quando se assustam, sempre voam prum lado oposto, ou traçam um rota de fuga muito esperta. Eles sempre sabem o que vamos fazer para tentar pegá-los.
Eles também sabem que somos clichês.

O clichê sabe que é clichê, e nem por isso me martiriza. Sabe que sem ele, nada teria graça:
Não haveria o novo, nem a mudança, nem o diferencial, nem o interessante. Tudo seria igualmente novo, mutável, diferenciado, interessante... porque sem a lei da Tese+Antítese (Anti-tese) = Síntese nos deixa tudo bem menos lúcido. Ah, eu não vou explicar, aqui vocês dão uma pausazinha e analisam o esquema:


(...)


Então, como eu dizia, (eu também parei para refletir e viajei) não vou dizer mais.
Chega um pouco de clichês. Clichês já estão enchendo o saco de tão repetitivos. Insistir na mesma coisa sempre causa cansaço, indiferença e repulsa.

Vamos para outra vertente de pensamento, onde eu não penso nada por não ter nada me ocupando a mente; vou falar de gente.
Sempre se fala de gente. Quando falam dos rios, as pessoas falam delas mesmas. O mesmo acontece com o céu. "Olhe, estrelas tão belas" e logo a beleza se transforma em algo humano. Como se cada medida e anti-medida fosse humana. Será que somos Sínteses do que nos rodeia?

Sempre acreditei que sim. Venho com essa bandeira nos braços e por sobre o meu peito desde quando me descobri ainda coberto. E é frio sair debaixo das cobertas, mas conseguimos ver tudo melhor, sentir tudo melhor.
É uma bandeira que não te protege do frio; ela não te protege, simplesmente isso. Proteção? Quem falou em ser protegido quando se segue um ideal? Afinal, quem defende quem, o escudo, ou o escudeiro?

O escudo protege o escudeiro e o escudeiro protege alguém aí, alguem deve pensar. Tá, mas...
Veio também aos olhos a imagem de um alguém conhecido? Pois então, você é o escudo dessa imagem. Aí, a imagem vira o escudeiro. E vira escudo de mais alguém. No final, é um jogo, uma guerra quase sem fim. Sem perceber nos apegamos às nossas ideologias como não somente escudos, mas espadas e lanças, pistolas e metralhadoras. As piores ideologias são aquelas que viram bombas atômicas...

BOOM!!! A explosão do ódio visceral humano. Tipicidades da nossa classe.

Acho melhor eu dobrar os dedos por aqui. Logo, ficarei sem palavras. Na verdade,(Duvido muito, por isso eu paro) eu gostaria de continuar. Mas deixo pra depois do fim do dia essa tarefa mortal de escrever. É aquela coisa:

Quem pouco fode, muito chupa;
quem pouco come, muito fuma;
quem pouco dorme, muito ronca;
quem muito escreve, *completem*"

Páginas 32, 33 e 1/2 da 34 do Birds of Paradise, projetinho mixuruca.




João Victor apelou à Clarice Lispector interior, aquela vadia literária que não para de falar até...

Not living, not going. I'm nothing; just bleeding.


Comece a exercitar os seus demônios interiores
depois de passar por tudo o que você passou
Você vai se perguntar
"pelo que eu passei?"

Sente-se ao seu lado, do seu lado interior
e veja-o chorando e pergunte
"Seguir o caminho errado te deixa mais forte?"
Você sempre acreditou sair mais forte

Afie seus dentes e suas mãos
seus sonhos são mais do que merecedores de tal
fanatismo
numa luta que nunca muda, que nunca acaba
Vá em frente, e me prove estar errado.

Quanto mais você seguir
menos você vai saber
Você nasceu pra perder
Mas você quer persistir

Como que por possessão você é tomado por
algo demoníaco
Não há malevolência em você, não
isso não pode ser verdade, amigo
Eles estão lhe matando e você
não os vê

Eles estão de dentro para fora,
perfurando os vazios e saturando
seu sangue.
O espelho rachou-se, a pintura queimou
e o lustre não brilha mais.

Você está sentado do lado do seu interior?





João Victor acredita que os que conhecem um pouco de Spawn tenham entendido um pouco a ideia.

14 de setembro de 2009

Da sala vazia, às cadeiras partidas.

A boca que sempre fala comigo
Nunca ouve das minhas mãos
Um cumprimentar agradável
Apenas um afável e educado
"olá".

Se por pena faço isso,
Não digo, não desminto também,
Só por alguma vontade inata,
Um desejo de fazer o bem

Inata, quem diz, não conhece os perfis
Daqueles que passam dias no escuro
Sem esperar por uma luz:
Eles não sabem mais o que os seduz

Contraria à lei do Amor fingí-lo, mediocrizá-lo.
Também não deveria,
Mas poderia
Não maltratá-lo?

Não julgo, pois martelo não tenho
Não digo, pois boca deixei de lado
Pra na vinda da palavra, me atenho,
e escrever de cada dia, refugiado.



João Victor já não ouve mais nem um indigno "como vai" em resposta. Graças. Graças ?

13 de setembro de 2009

Desenvoltura

Somos donos dos nossos atos
Mas não somos donos de nossos sentimentos;

Somos culpados pelo que fazemos,
mas não somos culpados pelo que sentimos;

Podemos prometer atos,
não podemos prometer sentimentos...

[Rubem Alves]



























O que o poeta quer dizer

no discurso não cabe
e se o diz é pra saber
o que ainda não sabe.

Uma fruta uma flor
um odor que relume...
Como dizer o sabor,

seu clarão seu perfume?

Como enfim traduzir
na lógica do ouvido
o que na coisa é coisa
e que não tem sentido?

A linguagem dispõe
de conceitos, de nomes
mas o gosto da fruta
só o sabes se a comes

só o sabes no corpo
o sabor que assimilas
e que na boca é festa

de saliva e papilas
invadindo-te inteiro
tal do mar o marulho
e que a fala submerge
e reduz a um barulho,

um tumulto de vozes
de gozos, de espasmos,
vertiginoso e pleno
como são os orgasmos

No entanto, o poeta
desafia o impossível
e tenta no poema
dizer o indizível:

subverte a sintaxe
implode a fala, ousa
incutir na linguagem
densidade de coisa
sem permitir, porém,
que perca a transparência
já que a coisa ë fechada
à humana consciência.

O que o poeta faz
mais do que mencioná-la
é torná-la aparência
pura — e iluminá-la.

Toda coisa tem peso:
uma noite em seu centro.
O poema é uma coisa
que não tem nada dentro,

a não ser o ressoar
de uma imprecisa voz
que não quer se apagar
— essa voz somos nós.

[Ferreira Gular]


Ah, pelo menos a prova da UERJ me trouxe mais um texto espetacular.
Acredito que esses dois, juntos, expressam melhor o que eu devo estar sentindo agora.



1-Eu não sei o quê; também não preciso de saber.